Uma criança a espreita, espiando pelas beiradas, nos deixa com a sensação de que na cena está rolando algo de errado. Ou ela observa alguém fazendo algo errado ou ela mesma fez alguma "besteirinha" e não quer ser pega no flagra.

Trabalhando com crianças e adultos, posso perceber como aprendemos cedo a esconder tudo o que pode nos expor. Isso não é algo somente ruim, afinal, esse é um instinto de autoproteção. Porém, criamos certas crenças que nos prejudicam com o passar do tempo. Uma delas é a nossa relação com nossos sentimentos.

As crianças tem dificuldade em expressar o que sentem por dois motivos: ou lhe falta vocabulário para conseguir traduzir com palavras os seus sentimentos ou, principalmente, acontece um mix de sentimentos e é difícil de entender sozinha o que está havendo.


Por não saber como lidar, a criança pode apresentar raiva (quebrando objetos ou agredindo colegas, por exemplo), isolamento ou crises de choro. Ao se perceber fazendo essas coisas e sabendo que isso é considerado errado, ela vai tentar ao máximo evitar fazer novamente. Ao censurar a expressão de suas emoções, elas ficarão guardadas em algum lugar.

Não é raro encontrar adultos que olham para si mesmos como a criança da imagem. Sabem que fizeram algo de "errado" e esperam uma punição. Ou precisam manter algo que consideram "errado" em segredo. Apresentar uma fragilidade é sinônimo de falta de força, e por isso nos escondemos. Ninguém quer parecer fraco.

Felizmente, quadros como este podem receber o nosso cuidado! Quando damos vocabulário aos nossos sentimentos e entendemos melhor as nossas emoções, nos tornamos capazes de ir além da espreita. Saber que não há problema em sentir é algo fantástico. Precisamos apenas aprender a nos expressar de forma mais assertiva.

Falar em saúde mental é falar sobre aprender formas para lidar melhor com as emoções e sentimentos que temos em relação a nós mesmos e aos outros. Vamos aprender juntos?