Tem momentos na vida que confiar em alguém parece uma missão quase impossível. A frase “você precisa confiar em mim” pode soar muito estranha quando ouvimos. Será que confiança é algo que se pede?


Quando penso em confiança, penso na relação de uma mãe com um filho e como a relação entre eles se constrói. No início para o bebê não existe confiança, porque ele acredita que ele e sua mãe formam uma coisa só. Com o passar dos meses, ele percebe que ele e sua mãe são coisas diferentes e aprende aos poucos a lidar com sua falta. 

O bebê confia em sua mãe quando sabe que o afastamento dela é temporário e seu retorno é garantido. “Suporto a falta dela porque sei que ela irá voltar.” A atenção e o afeto que recebeu da mãe antes o acalma.

Já não somos mais crianças quando, no decorrer da vida, pessoas entram e saem de nossas vidas. Que garantia temos de como elas agem quando estão longe de nossos olhos? Talvez, antes de olhar para a ausência de alguém, pensemos naquilo que já pudemos sentir em sua presença.

Não é possível pedir confiança da mesma forma em que não é possível garantir que palavras sejam cumpridas. Porém, existe algo além das palavras e é isso que chamamos de afeto. O que sustenta uma relação de confiança não são palavras, mas as emoções e os sentimentos que compartilham.